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Cuidar de quem tem demência vai te mudar — e ninguém te prepara pra isso

Foto do escritor: D'Andréa Dore
D'Andréa Dore
8 de jun.
2 min de leitura

Tem um ponto do cuidado que não aparece nas conversas.

Ele não está nos protocolos, nem nas orientações médicas.



Ele começa silencioso.

Você ainda está ali, fazendo tudo.

Mas algo em você já não responde do mesmo jeito.

O que antes era natural começa a pesar.

O que antes era escolha vira obrigação contínua.

E, sem perceber, você começa a se retirar de si mesma em pequenas concessões diárias.

Não é falta de amor.

É excesso de sustentação sem espaço de retorno.


Cuidar de alguém com demência não é só lidar com esquecimentos.

É lidar com a perda progressiva de referências da pessoa, e de você.

Tem dias em que você segura tudo.

Tem outros em que algo escapa por dentro:

um pensamento mais duro,

uma impaciência que você não reconhece,

um cansaço que o sono não resolve.

E então vem a culpa.

Como se sentir isso fosse uma falha de caráter.

Mas não é.

É o corpo e a mente tentando sinalizar que o limite foi ultrapassado. Mesmo que você continue funcionando.


Existe uma ideia falsa que machuca muito: a de que amar deveria ser suficiente para sustentar o cuidado.

Não é.

Amor não impede exaustão.

Não impede irritação.

E não impede o luto antecipado de ver alguém desaparecer aos poucos.

Quando essas experiências não são nomeadas, elas se acumulam como tensão interna,

e começam a distorcer a forma como você se vê.

Você passa a se perguntar: “o que está acontecendo comigo?”


O que está acontecendo é mais simples. E mais profundo:

você está sustentando uma realidade exigente sem linguagem suficiente para compreender o que sente.

E quando não há linguagem, tudo vira peso.

Quando você começa a dar nome ao que sente, algo muda.

Não porque a situação melhora lá fora, mas porque a luta interna diminui.

Você para de gastar energia tentando ser uma versão impossível de si mesma.

E isso abre um espaço mínimo, mas real, de respiro.


Foi por isso que eu organizei um material direto ao ponto.

Sem romantizar.

Sem endurecer.

Apenas colocando em palavras algumas verdades que quase ninguém diz, mas que, quando reconhecidas, aliviam mais do que qualquer técnica isolada.


Ebook: 10 verdades que ninguém conta sobre cuidar de alguém com demência

Se, em algum trecho de artigo, você se reconheceu, esse ebook pode te ajudar a organizar o que hoje parece confuso. É gratuito.



Você não precisa se forçar a dar conta de tudo em silêncio.

Às vezes, o primeiro cuidado possível

é simplesmente parar de se exigir além do que é humano sustentar.


 
 
 

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Olá, que bom ver você por aqui!

Sou psicoterapeuta prânica e desde 2017 vinha trabalhando com pessoas que vivem com doenças crônicas, até me tornar cuidadora primária da minha mãe com Alzheimer.

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