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Quando a casa também se cansa

  • Foto do escritor: D'Andréa Dore
    D'Andréa Dore
  • há 1 dia
  • 2 min de leitura


A casa de quem cuida nunca é só casa. Ela guarda turnos sobrepostos, interrupções constantes e uma vida que precisou caber nos intervalos.


Quando os objetos se acumulam, não é apenas falta de tempo ou de ajuda. Cada coisa parada carrega um pedaço de história que não encontrou saída. Uma sacola esquecida atrás da porta, papéis empilhados, remédios fora do lugar, roupas que não vão mais ser usadas. Nada disso é neutro. Os objetos fazem ruído, mesmo em silêncio. Eles ocupam espaço nos olhos e no peito, lembrando todos os dias que algo ficou suspenso.


Muitas mulheres sentem esse peso sem conseguir nomear. Não é apego excessivo, nem desorganização moral. É cansaço sedimentado. Cada coisa mantida ali é também uma tentativa de não perder mais nada, num cotidiano em que tantas perdas já aconteceram.


O excesso vira uma espécie de colchão: desconfortável, mas conhecido. Mexer nisso exige um tipo de presença que nem sempre está disponível, e tudo bem reconhecer isso sem julgamento.


Com o tempo, algumas casas pedem menos estímulo, não como projeto estético, mas como necessidade do corpo. Menos informação visual, menos interrupções para os sentidos. Não se trata de esvaziar a casa até que ela vire vitrine ou promessa de controle. Trata-se de permitir que o ambiente respire junto com quem vive ali.


Um espaço um pouco mais simples pode funcionar como um quarto escuro depois de um dia longo: não resolve a vida, mas descansa os olhos.

Reduzir estímulos, nesse contexto, não é tarefa, é movimento orgânico. Acontece aos poucos. Quando acontece.


Às vezes começa só com um canto que deixa de incomodar tanto. Outras vezes, com a escolha de manter o que sustenta e deixar o resto perder importância. Não há pureza nesse processo. Há idas e vindas, pausas longas, recaídas. E há dignidade em respeitar esse ritmo, mesmo quando ele parece lento demais.


Que essas palavras possam possam tocar você como alguém que se senta ao seu lado no fim do dia. Sem cobrança, sem meta, sem antes e depois. Apenas um reconhecimento silencioso de que viver e cuidar já consomem quase tudo.


O restante pode esperar. A casa também sabe esperar. Por agora, respira!

 
 
 

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Sou psicoterapeuta prânica e desde 2017 vinha trabalhando com pessoas que vivem com doenças crônicas, até me tornar cuidadora primária da minha mãe com Alzheimer.

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