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Você não falhou. Ninguém te preparou para isso.

  • Foto do escritor: D'Andréa Dore
    D'Andréa Dore
  • 2 de mai.
  • 3 min de leitura

Você estava rolando o Pinterest. Não porque estava buscando inspiração. Não porque tem tempo sobrando. Mas porque a cabeça precisava de um lugar para não pensar, e esse é um dos únicos espaços onde ninguém te pede nada.

Eu sei o que está acontecendo antes e depois dessa tela.



Antes: uma sequência de demandas que não tem pausa entre elas.

Depois: a culpa silenciosa de estar aqui enquanto deveria estar fazendo outra coisa.

E no meio, esses minutos roubados onde você tenta se anestesiar com imagens bonitas de uma vida que não é a sua agora.

Isso não é fraqueza.

É o que o sistema nervoso faz quando chega no limite.

E existe uma razão para você ter chegado até esse limite, que não tem nada a ver com o que você fez ou deixou de fazer.


Quando alguém recebe um diagnóstico de demência, o sistema de saúde trata o paciente.

Mas a família, quase sempre uma mulher, quase sempre você, recebe o silêncio.

Você vai para casa com uma lista de medicamentos, talvez um nome de médico especialista e a expectativa implícita de que vai dar conta.

Ninguém perguntou se você queria esse papel.

Ninguém verificou se você tinha condições emocionais, financeiras ou práticas para assumir.

Ninguém te ensinou a lidar com a inversão de papéis, com a perda progressiva, com o luto que acontece enquanto a pessoa ainda está viva.

Você simplesmente... assumiu.

Porque era a filha.

A esposa.

A nora.

A mais disponível.

A mais responsável.

A que não conseguia dizer não.

Chamaram isso de amor.

E quando o esgotamento virou pauta, o mercado respondeu com velas aromáticas, aplicativos de meditação e frases sobre gratidão pela oportunidade.

Vendeu a ideia de que o problema era sua falta de disciplina.

Que se você acordasse mais cedo e dissesse não com mais elegância estaria bem.


Vou ser sincera:

Você não está esgotada porque faltou autocuidado.

Você está esgotada porque carrega sozinha um peso que deveria ser dividido.

E você simplesmente não consegue parar.

Mas existe uma razão neurológica, não moral, para você não conseguir parar.

Quando você vive em estado de alerta prolongado, antecipando crises, monitorando sintomas, gerenciando medicamentos, respondendo a comportamentos imprevisíveis, seu sistema nervoso aprende:

Que relaxar é perigoso.

Que o momento em que você baixar a guarda é exatamente o momento em que algo vai dar errado.


Parar deixa de ser descanso.

Vira ameaça.

Então você não para.

Ou quando para, não consegue estar inteira no descanso porque sua mente continua no cuidado.

Você está no banho pensando se ele tomou o remédio.

Está tentando dormir calculando o que precisa fazer amanhã.

Está no Pinterest tentando se distrair de uma exaustão que não cabe mais dentro de você.

Isso não é falta de força de vontade.

É o que acontece com qualquer sistema vivo submetido a sobrecarga crônica sem intervalo de recuperação.

Seu corpo está fazendo exatamente o que deveria fazer nas condições em que você está.


Sabe o que uma pausa real significa, e o que ela não é ?

Não estou falando de férias.

Não estou falando de um fim de semana fora, que você provavelmente não tem como fazer acontecer agora.

Estou falando de algo menor, e ao mesmo tempo mais radical do que parece.

Uma pausa real é qualquer momento em que você interrompe conscientemente o modo de monitoramento.

Não para fazer outra coisa produtiva.

Não para resolver algo que estava pendente.

Mas para deixar o sistema nervoso registrar que, por alguns minutos, não há emergência.

Dez minutos com um chá que você realmente prova.

Cinco minutos olhando pela janela sem checar o celular.

Dois minutos de respiração lenta antes de entrar no quarto dele de manhã.

Não é sobre duração.

É sobre qualidade.

E não, isso não resolve o problema estrutural.

Nada que você faça sozinha vai resolver o problema estrutural.

Mas pequenas pausas criam microfendas na armadura do alerta constante.

E é por essas fendas que começa a entrar algo diferente.

Não a solução, mas a percepção de que você ainda existe além do cuidado.

Você não precisa se consertar.

Você precisa de suporte real, que inclui informação, ferramentas e, principalmente, a companhia de quem entende o que você está atravessando sem tentar minimizar.

É exatamente para isso que construí o Cuidadora Consciente.

Não trago promessas de transformação.

Não trago mais uma lista de coisas para fazer.

Ofereço um lugar onde o que você sente faz sentido, e onde você não precisa explicar do zero o peso que está carregando.


Se esse artigo chegou até você, não foi por acaso.

Você já sabe que precisa de algo diferente.

E eu estarei aqui quando você estiver pronta.

 
 
 

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Olá, que bom ver você por aqui!

Sou psicoterapeuta prânica e desde 2017 vinha trabalhando com pessoas que vivem com doenças crônicas, até me tornar cuidadora primária da minha mãe com Alzheimer.

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